sobre mim, Vamos falar

Um conselho: Tu não és uma árvore

Todos nós passamos por várias situações stressantes, destrutivas e ameaçadoras. E de facto infelizmente, muitas das vezes não consegues fazer nada acerca disso.
Hoje estou aqui, para partilhar um pouco da minha história nos últimos meses, coisa que não contei tudo, pois ainda era muito cedo e não sabia ao certo se deveria de falar deste tema, pois é um pouco louco.
Um conselho: Tu não és uma árvore, mas o que quero eu dizer com isto? Vamos lá à história da minha vida.
No início do ano 2017, como todos sabem, foi um início que deu cabe de mim, foi o mês em que, mais uma vez, perdi um animal, o meu Tareco. E de facto essa situação mexeu de tal maneira comigo, que fui bastante abaixo. Pois, para quem seguia o meu anterior blog, sabia que também tinha perdido uma cadela a Luna, por um acidente que era desnecessário. Muitas mudas de fraldas, muitos cremes, mas o facto de ela não conseguir andar, também a deixou em baixo. Sofri muito na altura, e passado tanto tempo ter perdido também o meu gato, deu cabe de mim, como uma faca espetada no coração.
Fui bastante abaixo, de tal maneira, que entrei em início de depressão, sim eu Sofia, a pessoa com a maior mau feitio, mas também com uma grande disposição entrou neste sistema maluco.
O trabalho que eu tinha, também não era o indiciado para mim nessa altura, pois como todos sabem, atendimento ao público é dos trabalhos mais desgastantes a nível psicológico que uma pessoa ou tem estômago ou fica maluca.
E a verdade é que esse trabalho estava a dar cabe de mim, para além de eu ter estado como estava, aquele trabalho estava a colocar-me num estado se saúde mais grave, muitos gritos, muitas reclamações, tudo na mesma altura.
Decidi ir à minha médica, falar com ela, até que já tenho uma psicológica que me tem acompanhado estes últimos meses, e a medicação, estou pronta, agora, passado perto de um ano, para a deixar, finalmente.
Tive imensos problemas no meu trabalho, discussões com clientes, discussões com os meus patrões, pois não admiti que ao fim de um ano a trabalhar lá, me andassem às bocas como os miúdos fazem na escola e muito menos admiti que me dissessem que não era boa no que fazia e que supostamente a minha colega nova (que tinha entrado nem à um mês) já fosse melhor que eu. O problema disso, é que quem lhe ensinou fui eu, mas isso, são pormenores que nem vou entrar por aí. E o pior é, afirmarem essas frases, após um ano e tal.
Cheguei a uma altura da minha vida que era, ou eu, ou eles. Eles porquê, porque eram bons patrões sim senhora, mas cheguei à conclusão que uma pessoa vira de bestial a besta (se bem que fui avisada por parte de colegas) mas tudo bem. E decidi colocar um ponto final.
A minha saúde é prioritário, o meu estado mental é necessário, só tenho 25 anos e via-me a destruir, sozinha! Não poderia deixar. Nem poderia admitir que algum trabalho, fosse qual fosse, que desse cabe de mim. O dinheiro não é tudo meus amigos, infelizmente, necessitamos dele para sobreviver, mas sem saúde, então aí, não tens escapatória possível.

Eu não sou uma árvore, estou mal, mudo-me

E foi o que eu fiz, começei a procurar outro trabalho, demorou algum tempo, pois se é complicado arranjar trabalho desempregada, estando empregada parecia impossível, mas consegui.
Assim que consegui a tal entrevista e me disseram que fui seleccionada, adeus meus amigos. Despedi-me nesse mesmo dia.
Eu estava mal, mudei-me. A minha saúde precisava, eu precisava e cada vez sentia que o meu EU não existia, cada vez estava mais distante, com tantos ataques de ansiedade que me dava, com tanto choro que eu tinha antes de ir trabalhar. Sentia cada pedaço meu com dor.

As consequências do despedimento

Todos sabemos que, quando efectuamos 1 ano de trabalho em uma empresa, somos obrigados a dar 30 dias à casa, ou então sais penalizado, ou seja, não vês um tostão.
A verdade é que não dei 30 dias nenhuns à casa e ao fim de uma semana, fui embora. Fiquei sem nada, sem dinheiro nenhum. Tive imensas dificuldades nestes últimos 3 meses, mas saí, porra finalmente saí.
A felicidade de saber que nunca mais colocaria ali os pés, foi tão grande que nem o ataque de ansiedade se conseguiu apoderar do meu corpo.

E como estou eu hoje?

Feliz. Porra, estou feliz. Estou feliz por acordar todos os dias, estou feliz por me sentir bem melhor, estou feliz por finalmente começar a deixar a medicação.
Problemas com segundas feiras? Não tenho, estou feliz por saber que vou trabalhar.
Estou em um ambiente familiar, estou como se tivesse em casa.
Mudei de emprego entretanto no fim de me ter despedido, arranjei esse trabalho, mas depois arranjei outro, e finalmente me sinto bem.
Sinto-me concretizada, sinto-me aliviada, sinto-me bem disposta.
Sinto o meu EU de volta, sinto o meu corpo feliz e a minha mente descansada. Finalmente me sinto a ser eu de novo. Finalmente deixei de ter ataques de ansiedade. Finalmente, acordo bem disposta e com vontade de trabalhar.

Lição a tirar de tudo isto

A lição que eu tiro disto tudo, é que sim, a falta de dinheiro vai tramar a nossa vida nesse instante, mas será apenas por algum tempo.
A tua saúde é o mais importante e precisas dela, para fazer tudo o que seja na tua vida. Tu não és uma árvore para não te mudares se tiveres mal, tu não tens raízes. Não cries a ilusão de que, é um lugar seguro.
De que te vale ter um lugar seguro, se mais tarde podes ter problemas de saúde? De que te serve todo o sacrifício de aguentares a estares onde és infeliz se ninguém valoriza isso?
A minha lição é que, realmente doeu, despedir-me, ver-me sem dinheiro e sem saber como me aguentar, mas a minha saúde neste momento, está óptima. A minha cabeça não pesa, não sofre. Não choro feita louca por tudo e por nada. Aguento bem o meu trabalho actual. Ando sempre bem disposta, a sorrir. A contar piadas.
Valeu todo o sacrifício, valeu a pena toda esta dificuldade. Tornou-me mais forte e devolveu-me o meu ser.
Não te prendas se te sentes mal, não te deixes destruir por causa de um trabalho, não te deixes estragar por alguém. Todos nós valemos o mesmo, com ou sem dinheiro, mas todos nós necessitamos da saúde, tanto física como psicológicamente para conseguirmos fazer alguma coisa.
Se estás mal, muda-te, não és um árvore!
És mais forte do que aquilo que julgas e eu nunca na minha vida pensei que algum dia iria ser capaz de fazer frente às pessoas e despedir-me. Por isso, sê tu mesmo, defende-te e protege-te pois mais ninguém o fará por ti.

10 Comments

  1. Carolina Franco

    24 Janeiro, 2018 at 9:17

    Fizeste muito bem em despedir-te. A saúde de facto é tudo e não há dinheiro no mundo que pague isso. De facto não somos árvores, e o melhor que fazemos é mudar-nos quando já não nos sentimos bem. Beijinhos

    1. Pirilampos em Marte

      28 Janeiro, 2018 at 22:19

      É tão verdade, temos é que pensar em nós 🙂
      Beijinhos

  2. Olívia

    24 Janeiro, 2018 at 12:57

    Passei por uma situação muito semelhante o ano passado. Também me despedia após um ano de trabalho e agora não podia estar mais feliz.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

    1. Pirilampos em Marte

      28 Janeiro, 2018 at 22:15

      Boa, grande coragem 🙂
      Beijinhos

  3. blogdezassete

    24 Janeiro, 2018 at 13:14

    Sem dúvida que a vida dá voltas e voltas, e fizeste muito bem mudar de emprego. No fim correu tudo bem e é isso que importa. Desde que estejas bem e feliz fisicamente e psicologicamente está tudo óptimo 🙂

    Beijinhos,
    DEZASSETE

    1. Pirilampos em Marte

      28 Janeiro, 2018 at 22:17

      É bem verdade 🙂
      Obrigada.

      BEIJINHOS

  4. Andreia Morais

    24 Janeiro, 2018 at 23:13

    Ter dinheiro ao final do mês alivia muito, porque há despesas que precisam de ser pagas, mas sem saúde não vamos a lado alguém. E não é só saúde física, mas psicológica também (e, muitas vezes, sobretudo esta). Até podemos estar num emprego que não seja o nosso maior sonho, o que não pode acontecer é acordar e nem termos vontade de ir, porque nos provoca tanta coisa negativa.
    Fizeste bem em mudar e em lutar por ti!

    1. Pirilampos em Marte

      28 Janeiro, 2018 at 22:17

      Obrigada querida 🙂

  5. Adriana R.

    26 Janeiro, 2018 at 22:30

    É assim mesmo! Fico feliz por estares bem, que continues assim <3
    Beijinhos

    1. Pirilampos em Marte

      28 Janeiro, 2018 at 22:19

      Obrigada querida 😀

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