O terror dos 18 dias – Faísca

AVISO: Este post contém imagens explicitas em torno do post. Aconselho aos mais sensíveis a não verem.

 

Todos nós que decidimos arranjar um animal de estimação sabe que, tem futuras tarefas a realizar. Principalmente se forem animais machos (cães e gatos). E sim estou a falar da orquiectomia traduzindo, a castração.
Temos de o fazer porque, primeiro começa a altura de andarem aluados e começam a marcar território, segundo, aumenta a sua vida.
Neste caso, decidimos que estava na altura de realizar o procedimento, pois o faísca estava a começar a marcar território em tudo o que sítio cá por casa e como não é gato de rua, era carpetes, móveis, tudo onde ele desejava.
E assim foi, contactei o veterinário que é o mesmo da minha Tucha (e como tal não fazia sentido ter dois veterinários distintos para cada um deles) e marcamos a orquiectomia.
Até aí tudo certo, no dia 23 de Junho entreguei o faísca para a realização do mesmo. Todos nós sabemos que, actualmente é um procedimento bastante simples, em que não existe complicações a não ser em casos raros, em que os gatos já tenham uma certa idade e mesmo assim não é sempre.
Pelo conhecimento que tenho, na castração de um gato, apenas é realizado um pequeno buraquinho para remover os seus testículos. Por norma não se faz mais nada. A não ser que algo possa ter corrido mal.
No caso do faísca aconteceu umas situações estranhas: Primeiramente levou ponto. Hoje em dia nenhum veterinário dá pontos, primeiro porque sendo uma cirurgia bastante simples, o corte é tão mínimo que no dia seguinte o gato está pronto para “outra”. Para quem não sabe, ao efectuar pontos, faz com que existe mais sítios onde possa entrar entrar bactérias, o que poderá gerar inflamação ou infecções.
Mas tudo bem, ele explicou que é um procedimento que ele realiza, e que não haverá qualquer problema.
Segundo, não me deram colar para colocar no pescoço dele. O que achei bastante estranho, mas o veterinário tinha dito que não haveria problema e que não precisava de usar.
Tudo bem. Trouxe-o para casa. A primeira coisa que fiz foi, colocar colar. Estamos a falar de gatos, que passam muito tempo a lavar-se e tendo ele deixado ali um fio enorme, iria fazer com que ele puxasse o fio e arranjasse um problema grave, por isso, caguei literalmente para o que ele disse. Não há ninguém que conheça melhor o meu gato que eu, por isso saberia o que me iria calhar. E assim foi. Esperei uns dias, sempre limpando, desinfectando e colocando creme. Mas sempre achei tão estranho a demora da cicatrização. Já tive um gato antes deste e não houve nada destas complicações. Passou uma semana…


Deparei-me com a zona inflamada “Bonito serviço”… Nesse dia tinha falado com os meus patrões para sair mais cedo para ir com ele ao veterinário (isto porque na semana que foi feita a castração estava de férias). Tudo bem, não saí mais cedo mas, levaram-me a outro veterinário, pois não gostaram do que lhe tinha dito.
Assim foi, fomos a outro veterinário. Qual foi o meu espanto? O espanto dos Veterinários que o viram? Pois, uma boa inflamação. No meio de tanta conversa, decidi colocar o faísca nas mão desses veterinários.
Tiraram o ponto… Com o que nos deparamos? Que para além de já se não se fazer este tipo de “trabalho”, estava a crescer pêlo dentro do escroto. Boa senhor veterinário, excelente trabalho.
Tiveram que rapar a zona, tirar o ponto e deixar como está até fechar e tudo cicatrizar. Foram os 18 dias, mais chatos de sempre. Principalmente para ele, que como todos devem de saber, os gatos detestam andar com colares no pescoço. Se uma semana foi o que foi, imaginem a continuação.
Eu posso dizer-vos que, quando falei com o meu veterinário, ele disse-me que eu (eu que sou veterinária e percebo muito da coisa), podia tirar o ponto. A sério? Mas a sério mesmo?
Como assim eu tirar o ponto? Estamos a falar de um veterinário MUNICIPAL, em que trabalha para um CANIL MUNICIPAL em SANTARÉM. Como assim? Fiquei desiludida.
Dois anos com ele e estragou esses dois anos, pois nem a Tucha nunca mais lá põe os pés.
Nunca pensei uma irresponsabilidade destas da parte dele. Eu não consegui, até hoje, ligar-lhe para dizer a merda de trabalho que fez. Nem sei o que lhe dizer sequer. Ele não sabe o quanto chorei na sala do veterinário enquanto rapavam o pêlo ao pobre do animal e eu o agarrava. Mas que merda de veterinário é este? É este tipo de trabalho que vemos de veterinários? Graças a Deus que nunca me deu para esterilizar a Tucha, graças a deus!!!

Conselhos que dou acerca do que aprendi com esta situação:

  • Avalia o trabalho do veterinário. Fala com pessoas, partilha experiências, obtém informação acerca dos serviços dele (dos mais complicados, como estes, cirurgias). Saber o que aconteceu, como correu, é das melhores formas de obteres feedback.
  • Pergunta tudo ao veterinário. Faz uma pesquisa na internet em como se realiza as cirurgias, fala com o veterinário acerca do procedimento, cada passo-a-passo. Não fiques com dúvidas. Fala nos porquês dos acontecimentos, do que poderá acontecer, nos riscos e como ele contorna as situações.
  • Se algo estiver fora do normal. Pede justificações, pede um termo de responsabilidade para ele. Pergunta porquê que está assim, porquê que fez assim, e que te mostre.
  • Pergunta os riscos. Ele que partilhe os riscos, o que temos de fazer, como fazer, como dar o melhor conforto ao nosso animal.

São coisas que nunca fazemos por já conhecemos o veterinário à vários anos, mas até pode ser bom em umas coisas e péssimos em outras. Que é o caso deste veterinário.
Complicou o que era fácil e arranjou problemas. E depois? Cagou. Não se responsabilizou mais e ainda fica admirado pelo faísca ter ganho inflamação.
É o que deveria ter feito, mas não, fui estúpida ao ponto de acreditar no trabalho dele e ainda defender o trabalho dele quando diziam que já não se dá pontos. Sempre acreditei no trabalho dele, mas a verdade é que nunca o vi em trabalhos mais complexos.
Nesta fotografia abaixo, é onde podemos ver o quanto feio isto ficou e o complicado que se tornou. Esta ferida era desnecessária se o trabalho tivesse sido feito como deve de ser. Todo este sofrimento seria desnecessário se eu não me tivesse apenas limitado na confiança que tinha por ele, no trabalho dele.

Foram os 18 dias mais longos, noites mal dormidas, dias preocupantes, stressantes… E no dia em que oficialmente tirou o colar e estava “livre” pude descansar. Mas descansei tanto que adormeci às oito da noite e acordei às nove da manhã do dia seguinte. Estava de rastos… Acabada, raivecida mas feliz ao mesmo tempo por finalmente este pesadelo ter acabado.
Nunca se esqueçam que o barato, saí caro. Paguei 60€ para a realização da castração, para se ter gasto mais em outro veterinário.
Pesquisem os veterinários, não os entreguem à primeira clínica que vos apareça. Vejam se vos inspira confiança, avaliem, falem com outras pessoas.
Se já têm veterinário definido por alguma razão, pensam nesta situação. Lembrem-se sempre do faísca. Que foi a um veterinário cujo ele já é veterinário da família à uns anos e saiu o que saiu.
O faísca, apesar de não ter mostrado, sei que passou muito mal… E por mais que os gatos sejam resistentes à dor, não merecem este filme todo, já basta estarmos a tirar uma coisa que é deles, que faz parte da espécie felína deles.
Só tenho de agradecer aos meus patrões por me terem ajudado, por me terem sempre acompanhado até ao fim do tratamento do meu pequeno. As coisas tornaram-se menos negras com a ajuda deles. Fizeram mais do que algum amigo meu fez. Fizeram o que não lhes competia e não tinham obrigação. Tudo se tornou mais fácil de “lidar” com ajuda. Estava a ficar demasiado revoltada para conseguir acompanhar tudo isto sozinha. O meu namorado, perguntam vocês, também anda com alguns problemas de saúde, por isso, também não conseguiu acompanhar as coisas da melhor maneira. Tomei conta dos dois Homens cá da casa, basicamente.
Finalmente tudo passou, finalmente o susto acabou. Finalmente o Faísca está curado e tudo graças aos Veterinários competentes que fazem o seu trabalho.
A vocês, têm a explicação da minha ausência e da falta de paciência para a escrita. Por isso meus caros seguidores, tenham atenção.
É só isso que quero, tenham atenção, avaliem muito bem onde colocam os vossos animais. O que aconteceu ao meu, infelizmente pode acontecer a outros.
E às pessoas que têm acompanhado pelo instagram, como pela Página de Facebook, agradeço por todas as mensagens de carinho, de melhoras e preocupações, um enorme obrigada! Sei quanto gostam de ver os meus pequenos e fiquei muito feliz, que apenas não se limitem em gostar de ver, mas sim em se preocupar com eles.
MUITO OBRIGADA!

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  1. Eu que tenho acompanhado tudo pelo instagram fui ficando de coração apertado a ler este post. Eles são como filhos. Felizmente a castração da minha correu bem mas só de a ver toda parvinha com a anestesia e a babar-se ia-me dando um treco. Nem quero imaginar como te sentias. És uma ótima mãe <3

    Felizmente tudo se resolveu e acabou em bem e infelizmente cada vez se pode confiar menos nos profissionais que temos. Cada vez há mais descuidos e menos amor no que se faz.

    Já passou! És grande!

    Um grande beijinho*

  2. Coitadinho do Faísca… ainda bem que já está melhor.
    Realmente é preciso muito cuidado com o veterinário que se escolhe. O melhor mesmo é pesquisar muito e perguntar opiniões, mas mesmo assim, se já era o mesmo da tua cadela e até então tudo estava ok, é normal que não fosses pensar que com o gatinho ia correr mal. Ainda bem que tudo acabou bem! 🙂

  3. Deve ter sido mesmo horrível tudo o que ele passou e tu também! Estou a imaginar o teu sofrimento e nem quero pensar em passar pelo mesmo que como sabes já falamos sobre isto e quero fazer à minha mas tenho medo!
    Ainda bem que ele já está bom! Finalmente! 🙂
    Beijinho

  4. Bem, nem tenho palavras! É mesmo de uma irresponsabilidade e falta de profissionalismo tremenda. E o pior é que quem sofre, primeiro, é o patudo e, segundo, os donos. Ainda bem que o pior já passou, mas não deixa de existir uma revolta, porque tudo poderia ter sido evitado :/
    Agora já podes sossegar e ver o teu Faísca bem ❣

    As melhoras para o teu namorado!

  5. Coitadinho do Faísca, não foi fácil.
    E para ti muito menos, e saber que esse veterinário tinha acompanhado a Tucha bastante tempo.
    O meu gato o Flash também foi castrado, também não correu muito bem, mas sei que foi apenas algum vaso que apanharam na zona, e a própria equipa só continuou a operação porque as análises estavam bem, andou +/- 2 semanas de colar, mas e ele foi acompanhado dia sim e dia não e não paguei nada, foram impecáveis.
    Ainda bem que tudo se resolveu, e já podem respirar fundo. 🙂