se eu podesse escolher

Se eu pudesse escolher escolhia

Ser insensível… Adorava poder ser insensível, não no mau sentido e em todas as circunstâncias da vida, mas em várias situações.
Por vezes gostava de ser mais fria em certas situações, como por exemplo, ser deixar ir-me abaixo quando acontece alguma situação mais crítica, por exemplo:
No outro dia tive uma reclamação a meu respeito e o que é que eu tive ? Um ataque de ansiedade. Não sei se é por ser demasiado sensível, porque tenho que engolir e não deitar cá para fora. Mas gostava de saber impor-me.
Gostava de dizer a alguém assim que grite comigo: “Não desculpe, não tem nada que estar a falar comigo assim!”… E por vezes digo, mas a ansiedade começa a apoderar-se de mim, ao ponto de começar a tremer e só ouvir o meu coração, nada mais.
Estou cansada de tanta falta de respeito que tenho de lidar todos os dias, estou cansada de ter que ouvir queixas e queixinhas todos os dias.
E ainda mais estou cansada por pensarem que tenho cara de quem gosta de levar com as frustrações dos outros.
Sinto-me cansada, selada no meu mundo sem conseguir deitar o que sinto cá para fora.
Se calhar, faz-me falta um psicólogo… Mas também estamos em um país tão bom que é tudo tão caro, que mais vale ficar maluca da cabeça.
Gostava de ser insensível, gostava de não sentir a ansiedade que me dá, gostava de ser do género de pessoa que ouve mas não liga nenhuma, gostava de ser tão insenvível ao ponto desligar por completo.
Mas não, acontece o inverso, acontece que tudo o que acontece fica cá dentro, a remoer e a moer-me…
Eu não compreendo como é que é possível existir tanto egoísmo por parte das pessoas.
Pensam que temos de estar ali a levar com os problemas deles aos gritos.

Enfim, sinto-me cansada, esgotada e a sentir-me a ir por água abaixo.