A questão anda no ar, sobre legalizar ou não a Eutanásia, ser ou não ser a favor. Ter ou não ter direito a acabar com a vida de uma pessoa.
Questões e mais questões que, não sou eu, nem tu, nem o teu vizinho que irá saber responder, só aqueles que estão a passar apor situações de cortar a respiração.
É um tema bastante difícil, são as inúmeras opiniões que existem, mas que, por mais que seja aceite ou não, custa.
Custa para os que são a favor e os que não são a favor.
Mas afinal que direito temos nós de acabar com a vida de alguém? Nenhum. Mas a verdade é que, nós também não somos ninguém para manter uma pessoa em sofrimento e desespero vivo, quando ele manda que acabem com a sua vida.

Quem tem o poder de escolha é a própria pessoa que se sente incapaz de aguentar mais a dor e o sofrimento por que está a passar.

Ser ou não ser a favor da Eutanásia?

Eu, e por muito que custe admiti-lo, sou a favor. Por mais que seja um momento desesperante, por mais que seja uma opção que arrebenta com uma pessoa por dentro.
Que direito tenho eu, de manter alguém vivo, porque eu quero? Isso é egoísmo. É não saber colocar-me no lugar da pessoa que está a sofrer, que está a contar os seus dias para morrer. Infeliz, entristecido, depressivo.
Que direito tenho eu, de manter alguém vivo, quando sei que de um momento pode fechar os olhos, partir, mas com uma partida dolorosa? E a consciência, o que resta? Sofrimento. Saberes que partiu com as piores dores, com todo o organismo a morrer, saberes que partiu da pior forma, todas as situações agressivas que pode existir numa pessoa que esteja a morrer aos poucos.
Como não é legal, nunca tivemos que escolher essa opção com pessoas. Mas infelizmente, por quem passou por isso e teve que escolher por animais?
Eu, tive que fazer essa escolha duas vezes na minha vida. Foram as piores decisões que alguma vez tomei. Mas pior que fazer estas escolhas, era ver o sofrimento deles, era ver dia após dia a degradarem-se e tu não poderes fazer mais nada.
Que direito tenho eu para os manter vivos só porque não queria ficar sem eles? Que direito tinha eu? Tive que tomar duas decisões, que ainda hoje, me dói, mas dói imenso. Mas sei que, lutei por eles até ao fim.
Foi dinheiro, foi tratamentos, tudo deitado “fora” para os manter vivos. Mas chega a um ponto que não dava mais.
Não porque não faria por eles, nem pelo dinheiro (larguei tudo o que tinha e não tinha por eles) mas sim, olhar para eles, olhar para os olhos deles e sentir aquela enorme tristeza, aquele sofrimento que só eles o sentiam. Olharem para mim e “Deixa-me ir, nós sabemos que não desististe de nós, mas não aguentamos mais”.
Não tinha direito nenhum em continuar a deixar que eles sofressem mais. Lutei, lutei muito até ao fim, mas infelizmente, existem doenças ou desastres que nós não temos como dar a volta.
E porque não podemos fazer isso com as pessoas? Acham justo para a pessoa deixarem-no viver por obrigação? Quando a própria pessoa doente já desistiu de viver porque sabe que, não vai passar dali? Daquele sofrimento?
Não é justo.
Eu sou sim, a favor da Eutanásia nos casos críticos, naqueles casos em que efectivamente não há mais nada a fazer e estamos apenas sentados, à espera que a pessoa morra. Não é justo para o doente, nem é justo para a família.
Não podemos ser egoístas a esse ponto, por mais que custe a decisão, temos que se pensar que não irá ser pior do que ver essa pessoa a morrer aos poucos, à espera, de braços abertos, pela morte.
E eu sei, sei que se um dia tivermos que fazer essa escolha com um familiar, vai ser uma faca espetada no nosso coração levado uma parte de nós para fora do nosso corpo. Uma parte de nós vai com essa pessoa que tivemos que fazer essa escolha. Ou até mesmo a pessoa é que fez essa escolha. É uma parte de nós que vai com ela. Mas, as pessoas têm direito em escolher se querem continuar ou não. Se querem continuar a sofrer ou não.
É a vida delas, é as escolhas delas.

Sim sou a favor da Eutanásia. É uma decisão que uma pessoa tem que ter o coração frio, ter os pés bem assentes na terra e ter consciência que, não irá haver melhoras, a pessoa está às portas da morte. Por isso, mais vale a pessoa fechar os olhos, mas sem dores, sem sofrimento, com as lágrimas constantemente nos olhos por estar completamente destruído, estar constantemente a pensar quando irá morrer, estar constantemente a implorar pelo fim da vida, estar constantemente a implorar por aquilo que é dele.
E não, não sou tão fria como devem de estar a pensar. Se custa termos que tomar essa decisão devido aos nossos animais, que são como filhos, imagino se tivesse que tomar perante um familiar meu. Mas, a questão é, a própria pessoa é que decide se quer viver ou não. E sendo essa pessoa nós também temos que aceitar, pois sabemos muito bem que, nós vai doer ainda mais do que saber como “notícia” que esse familiar faleceu. E sabemos que faleceu da pior maneira.

Portanto dói, se fossemos nós ou não a decidir, tal como dói quando é a pessoa que está a morrer a decidir. Não fui muito explícita nesse sentido, a pessoa é que tem de decidir que se aceita ou não eutanásia e não nós. Mas se tivéssemos esse poder de decisão tal como temos com os animais, iria doer e bem.

Qual a tua opinião acerca de tudo isto?